quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Imunodeficiência


Imundeficiências

Imunodeficiência é um grupo de doenças, caracterizadas por um ou mais defeitos do sistema imunológico. Como conseqüência destas alterações, o indivíduo se torna mais propenso a apresentar grande número de infecções.

Existem dois grupos de alterações imunológicas: imunodeficiências primárias ou congênitas eimunodeficiências secundárias ou adquiridas, sendo essas mais freqüentes.

O primeiro grupo é constituído por defeitos hereditários, provenientes dos pais e resultam em um aumento da suscetibilidade às infecções e que são freqüentemente manifestadas na primeira ou na segunda infância, mas algumas vezes são detectadas clinicamente só na vida adulta.O segundo grupo é constituído por defeitos não hereditários, mas secundários a outras condições, como, por exemplo, desnutrição e infecção pelo HIV (vírus causador da AIDS), doenças auto-imunes ou parasitárias.

Imunodeficiência Combinada Severa (SCID) ou Síndrome Wiskott-Aldrich

A "Imunodeficiência Combinada Severa" (SCID, por suas siglas em inglês), nome aplicado a um grupo heterogêneo de distúrbios caracterizados por desenvolvimento defeituoso ou função defeituosa dos linfócitos B e T, com comprometimento do sistema linfático e deficiência da imunidade humoral (células B) e celular (células T).

Estes distúrbios manifestam-se dentro do primeiro ano de vida com infecção oral por fungos, em alguns casos diarréia crônica, bloqueio do desenvolvimento e, no final, infecções graves por bactérias, vírus, fungos, protozoários ou outros organismos.

O índice de mortalidade por causa da SCID durante o primeiro ano de vida é extremamente elevado, seja por falta de diagnóstico, diagnóstico tardio ou por impossibilidade de acesso a um tratamento adequado.

Uma vez diagnosticada a SCID as crianças afetadas necessariamente devem ser mantidas em ambientes estéreis, totalmente protegidas e isoladas, nutridas com alimentos rigorosamente esterilizados, sendo tratadas com misturas de gamaglobulinas humanas (anticorpos purificados coletados de milhares de pessoas), e, conforme o caso, com antibióticos, antivirais e antifúngicos. O contato com os pais e com o exterior pode ser possível, mas obedecendo a escrupulosos procedimentos para evitar infecções. Assim mesmo esses procedimentos todos são apenas paliativos para preservar a sua vida por um curto tempo enquanto esperam o tratamento.

Existem diferentes formas de tratamento, dependendo da imunodeficiência. Algumas modalidades de tratamento consistem de medicações para estimular a produção de glóbulos brancos, a reposição mensal de anticorpos, a terapia gênica (ainda não disponível no Brasil), e o transplante de medula óssea, já  realizado em nosso país para várias imunodeficiências. O mais importante é que as imunodeficiências sejam corretamente diagnosticadas, para que o tratamento mais adequado seja indicado o mais precocemente possível.

Doenças Hemarológicas


As doenças do sangue são chamadas de doenças hematológicas. Para algumas  doenças, a forma mais comum de tratamento é a  associação de medicamentos, em outras, apenas a realização do Transplante de Medula Óssea pode ser a melhor alternativa para controlar a doença.


-Aplasia Medular ou Anemia Aplástica Severa-Adquirida e Congênita


A aplasia de medula óssea, é uma doença que resulta da falência da medula óssea em produzir células sangüíneas.

Assim, quando a produção dessas células não ocorre em função do mal funcionamento da medula óssea, os níveis das células no sangue caem , há o aparecimento de sintomas como palidez e cansaço decorrente da anemia, sangramento (plaquetopenia) e infecções graves que colocam o indivíduo sob risco de morte (essa resposta é conhecida como pancitopenia). Ocorre mais freqüentemente em adultos jovens, sem predomínio ao sexo.

Existe dois tipos de aplasia de medula: 
1. Adquirida: que pode estar relacionada ao uso de certos medicamentos, infecções por determinasdos vírus ou bactérias ,contato com inseticidas, derivados de benzeno, doenças auto-imunes ou por causas desconhecidas.

O paciente com aplasia de medula não produz suficientemente as células do sangue e por isso, freqüentemente recebe transfusões, seja de concentrado de hemácias (para correção de anemia grave) ou de plaquetas (em caso de sangramentos).

A diminuição dos glóbulos brancos leva à diminuição das defesas do organismo causando infecções frequentes , sendo tratadas com antibióticos, antifúngicos e antivirais. O paciente com aplasia de medula deve evitar o contato com pessoas doentes, recém-vacinadas e ambientes com aglomeração de pessoas.

Os medicamentos utilizados para o tratamento são chamados drogas imunosupressoras que agem estimulando a produção de células sangüíneas pela medula óssea que está sem atividade. Como exemplo, temos a ciclosporina (uso via oral) e o ATG (soro anti-timocítico de uso intravenoso) e corticoesteróides. Estas drogas podem ou não ser utilizadas em associações.

O tratamento com medicamentos é uma decisão médica, caso o TMO não seja a melhor opção. Ele pode ser recomendado desde o início do tratamento, enquanto se procede a busca de um doador compatível.

Os tratamentos de suporte são importantes, porém o único tratamento potencialmente curativo é o transplante alogênico de medula óssea, principalmente para aqueles pacientes refratários ao tratamento com imunossupressor.

2.Congênita: que são detectadas no nascimento ou aos primeiros meses de vida também conhecida como Anemia de Fanconi.

Neste caso, existe um defeito genético conhecido, levando ao quadro de falência medular. É uma anemia genética hereditária e pode ser corrigida totalmente pelo TMO. Inicia-se de 4 a 20 anos de idade e baseia-se na associação de aplasia, histórico familiar e malformações (aplasia do pogelar, malformações renais e urológicas).

- Síndrome Mielodisplásica(SMD)

A SMD refere-se a um grupo de distúrbios adquiridos da medula óssea caracterizados por crescimento de células do sangue, da medula óssea hipercelular, porém co citopenia periférica e progressão  para LMA.

O TMO de doador relacionado ou não continua sendo o único tratamento curativo para a SMD, principalmente se o paciente estiver em remissão completa após a quimioterapia, se houver alterações citogenéticas desfavoráveis, mais de uma linhagem com citopenia e se a contagem de blastos for menor de 10%.

-Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN)

Doenças Onco-Hematológicas


As células que constituem nosso organismo se dividem e morrem de maneira ordenada, porém quando há alguma alteração no controle das células, estas passam a se multiplicar de forma desordenada, perdem sua função, ganham outras, invadem o lugar das células normais e causam o câncer ou neoplasia.

Abaixo descrevemos os aspectos gerais de doenças neoplásicas hematológicas (cânceres do sangue): 


-Leucemias


Definição e etiologia
As leucemias são cânceres das células do sangue. Essa doença afeta crianças e adultos e tem como principal característica o acúmulo de células jovens ou imaturas anormais (blastos) na medula óssea -local de produção de células do sangue. Esse acúmulo inibe o crescimento e boa funcionalidade das células normais causando fraqueza e a falta de ar, resultantes da presença de um número pequeno de glóbulos vermelhos (anemia), infecção e febre, resultantes de uma quantidade e função inadequada de leucócitos, e sangramento, resultante de uma quantidade baixa de plaquetas.

As células leucêmicas saem da medula óssea, onde são produzidas e são liberadas na corrente sangüínea e transportadas até o fígado, baço, linfonodos ou gânglios, cérebro, rins e órgãos reprodutivos, onde continuam a crescer e a se dividir. A presença de células leucêmicas no cérebro pode causar dores de cabeça, vômito e irritabilidade, e, a expansão na medula óssea, pode causar dores ósseas e articulares.


É uma doença maligna de origem desconhecida, na maioria das vezes.  Alguns fatores estão associados ao desenvolvimento da doença, como: exposição às radiações por raios ultravioletas do sol, conseqüências da Bomba que atingiu Hiroshima e acidentes biológicos, como o de Goiânia, infecções virais e ocorrências de erros genéticos nas células em divisão.

É importante saber que a leucemia não é contagiosa e nem hereditária (não é transmitida de pai para filho). Muitas pessoas confundem e pensam que uma leucemia é decorrente de uma forte anemia e isso não é verdade. As anemias ocorrem por diversas causas e não evoluem para leucemia. Entretanto, pacientes com leucemia freqüentemente apresentam quadros de anemia devido à doença e ao tipo de tratamento quimioterápico.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil tem uma taxa estimada de sete casos para cada 100.000 habitantes por ano.

Classificação das leucemias:


Existem vários tipos de leucemia, que são denominados de acordo com a rapidez de sua evolução e do tipo de célula afetada. O objetivo de classificar o tipo de leucemia é definir o tratamento adequado e o prognóstico do paciente.

As leucemias são divididas em agudas e crônicas. As leucemias agudas se instalam rapidamente, em dias ou poucos meses o paciente apresenta na maioria dos casos: fraqueza, cansaço excessivo, perda de peso, palidez, sangramentos, anemia e infecções contínuas. As células que caracterizam a leucemia aguda são chamadas "blastos", por serem imaturas e se duplicarem rapidamente.


Em crianças, é a neoplasia mais frequente,representando 80% das leucemias nessa faixa etária,com sobrevida em 5 anos de 79%. Nos adultos, constitui 15% te todas as leucemias, com sobrevida de 5 anos de cerca de 30%.

As leucemias crônicas se instalam lentamente, os sintomas não são muito evidentes, muitas vezes o diagnóstico é feito através de um exame alterado de rotina sem que o paciente tenha percebido qualquer sintoma de cansaço, fadiga, emagrecimento ou aumento do baço (esplenomegalia), caracterizando a doença. A doença costuma ser menos agressiva e as complicações podem levar meses ou anos para ocorrer.

 A leucemia também pode ser classificada pelo tipo de célula que origina a doença. A célula-tronco ou célula-mãe que dará origem às células sanguíneas, normalmente se diferencia em células linfóides, originando os linfócitos B e T e em células mielóides, dando origem aos outros glóbulos brancos (neutrófilos, basófilos, eosinófilos e monócitos), aos eritrócitos ou glóbulos vermelhos e às plaquetas.Quando há alteração na célula linfóide, a leucemia é denominada linfóide aguda ou crônica(LLA ou LLC). E quando a alteração é na célula mielóide, a leucemia é denominada mielóide(LMA ou LMC).

O diagnóstico das leucemias pode ser feito utilizando-se o esfregaço de sangue periférico e de medula óssea. Através do quadro clínico e os exames laboratoriais a doença será classificada em um subtipo específico de leucemia e o paciente terá seu diagnóstico confirmado.


As leucemias são definidas pela clássica classificação FAB (Grupo Cooperativo Francês, Americano e Britânico), que se baseia nas características morfológicas - citoquímicas e imunofenotípicas das células doentes e na classificação da OMS ou WHO (World Health Organization), proposta em 1997, para as doenças neoplásicas dos tecidos hematopoiético e linfóide. Essa classificação visa facilitar o progresso no entendimento e tratamento das neoplasias hematológicas e baseia-se na combinação dos aspectos citogenéticos/moleculares e clínicos associados aos dados morfológicos e imunofenotípicos.


Leucemia Aguda(LLA/LMA): Indicações ao TMO


-LLA de alto risco, em primeira remissão completa( incluido Citogenética: Cromossomo Philadélphia + e translocações);
-Infiltração leucêmica no testículo e Sistema Nervoso Central;
-Ausência de resposta completa dentro de 4 semanas do tratamento inicial;
-Segunda resposta completa em diante.


Leucemia Mielóide Crônica (LMC):Indicações ao TMO


A leucemia mielóide crônica é causada por um defeito genético específico-a translocação do cromossomo 9 e 22( cromossomo philadélphia)- produzindo o BCR-ABL, que interfere na atividade de uma enzima (tirosino-quinase) das células que se tornam malignas e se proliferam dando origem a doença. Representa 15% a 20% de todos os casos de leucemia. Pode ocorrer em qualquer idade. sendo seu pico de incidência entre os 50 e 60 anos.


O transplante continua sendo a única alternativa de tratamento potencialmente curativo. Entretanto o uso de inibidores de tirosino-quinase, como o Imatinib, oferece altas taxas de resposta. O TMO alogênico deve ser considerado nas seguintes situações:1) intolerância à droga; 2) falha de resposta hematológica após 3 meses de tratamento ou resposta citogenética após 6 a 12 meses com Imatinib;3) progressão dsa doença ou crise blástica.


-Linfomas  de Hodgkin e não Hodgkin


Os linfomas são cânceres (tumores malignos) do sistema linfático. Como o sistema sangüíneo, o sistema linfático faz parte do sistema circulatório, mas o que circula é um líquido conhecido por linfa, em vez de sangue.


Esse líquido que circula nos vasos linfáticos para todas as partes do corpo é constituído por um tipo especializado de leucócitos (glóbulos brancos) denominados linfócitos possuem papel fundamental no sistema imunológico na defesa contra infecções e doenças.

Os vasos linfáticos passam através dos linfonodos ou gânglios linfáticos, popularmente conhecidos por "íngua", que contêm grande quantidade de linfócitos e atuam como um filtro contra bactérias e vírus, por exemplo. Quando uma parte do corpo fica infeccionada ou inflamada, os linfonodos mais próximos se tornam dilatados e sensíveis. Isso é o que acontece, por exemplo, quando uma pessoa com a garganta inflamada desenvolve "ínguas" no pescoço.

Os gânglios ou ínguas tendem a se aglomerar em grupos, principalmente nas axilas, no pescoço, virilha e região abdominal. Veja abaixo:
No caso do linfoma, os linfócitos cancerosos podem estar num único gânglio ou podem disseminar por todo o corpo, para quase todos os órgãos. Acumulam-se principalmente nas áreas do pescoço, axilas, abdômen e virilha.

Os dois tipos principais de linfoma são o linfoma de Hodgkin (mais comumente conhecido como doença de Hodgkin) e o linfoma não- Hodgkin. O linfoma não-Hodgkin apresenta vários subtipos, dentre os quais estão o Linfoma folicular, Linfoma difuso de grandes células B, Linfoma do Manto, o Linfoma de Burkitt e a micose fungóide.

O número de casos de linfoma não-Hodgkin é aproximadamente cinco vezes maior que o de doença de Hodgkin. Essas duas doenças apresentam um acometimento muito grande de pacientes em idade produtiva (adultos jovens).


O transplante está indicado naqueles pacientes que apresentam a primeira recaída, ou aqueles em que a resposta completa não foi alcançada.Para cada tipo de linfoma indica-se uma modalidade terapêutica específica. Seja através da quimioterapia tradicional, terapia alvo(Rituximab associado à quimioterapia), transplante autólogo ou alogênico.

TRATAMENTO


O tratamento das leucemias e linfomas acontece em diversas frentes:


· Quimioterapia (QT): São medicamentos aplicados em geral por via endovenosa e oral (pelas veias ou tomados por boca) que agem no ciclo celular impedindo que as células se multipliquem, destruindo as células doentes. Existem muitos quimioterápicos para cada doença, alguns mais específicos para determinada doença e outros menos. Todos têm efeitos desejáveis, que é impedir a progressão do tumor e efeitos colaterais indesejáveis, que variam muito com o medicamento.


· Radioterapia(RT): Tratamento realizado com auxílio de um aparelho semelhante ao Raio X, que emite radiação para o local do tumor ou, em alguns casos, irradiação total corporal. O tratamento é realizado em hospital, com uma programação de aplicações em dias seqüenciais, variando a quantidade de dias para cada caso (em geral menos de 30 dias). A aplicação da radioterapia é rápida, o paciente entra numa sala semelhante à de raioX e é colocado na posição adequada sobre uma mesa de metal. O aparelho é ligado e por poucos minutos o paciente fica parado recebendo a irradiação.


· Terapia à base de antibióticos para combate as freqüentes infecções.


· Transfusões de glóbulos vermelhos e plaquetas enquanto a medula não recupera a capacidade de produzir e maturar as células do sangue.


· Transplante de Medula Óssea (TMO), em casos de indicação.


-Mieloma Múltiplo


O mieloma múltiplo é um câncer das células da medula óssea caracterizada pela proliferação de um clone de plasmócitos. Essas células anormais multiplicam- se,acumulam-se na medula óssea, e produzem uma grande quantidade de anticorpos (imunoglobulinas) anormais que se acumulam no sangue ou na urina. Denomina-se "mieloma múltiplo" porque várias partes ou áreas da medula óssea estão envolvidas, A expansão da doença provoca destruição óssea e , consequentemente, dor e fraturas. Os tumores de plasmócitos (plasmocitomas) são mais comuns nos ossos pélvicos, na coluna vertebral, nas costelas e no crânio.


O mieloma representa 1% de todos os tipos de câncer, mas é o segundo câncer no sangue mais comum, depois dos linfomas. Esse câncer raro afeta igualmente homens e mulheres e é comumente observado em indivíduos com mais de 40 anos de idade. A sua causa é desconhecida, porém parece que algumas profissões, exposição às substâncias químicas (solventes, agentes de limpeza), infecções virais e à radiação podem eventualmente causar mieloma em indivíduos que tenham predisposição.

Freqüentemente, o mieloma múltiplo causa dores ósseas, especialmente na coluna vertebral ou nas costelas, e enfraquece os ossos, os quais podem fraturar facilmente. Embora a dor óssea seja geralmente o sintoma inicial, o distúrbio é ocasionalmente diagnosticado somente após a manifestação da anemia (uma quantidade demasiadamente pequena de eritrócitos no sangue), de infecções bacterianas.


Algumas vezes, o mieloma múltiplo é diagnosticado antes do individuo apresentar qualquer sintoma. Por exemplo, quando uma radiografia realizada por alguma outra razão revela a presença de áreas perfuradas nos ossos, as quais são características desse distúrbio podendo até causar fraturas expostas . Outras vezes, a doença é diagnosticada por um quadro mais avançado de insuficiência renal.

O hemograma completo pode detectar a presença de anemia e de eritrócitos anormais. A concentração de cálcio também encontra-se anormalmente elevada em um terço dos indivíduos com mieloma múltiplo, pois alterações ósseas acarretam a liberação de cálcio para a corrente sangüínea.


Entretanto, os exames diagnósticos fundamentais são:  a eletroforese, a imunoeletroforese de proteínas séricas e exames de sangue que detectam e identificam o anticorpo anormal. A eletroforese e a imunoeletroforese da urina podem detectar a presença de proteínas de Bence Jones produzidas pelos plasmócitos, que são encontradas em 30 a 40% dos pacientes com mieloma múltiplo. Freqüentemente, as radiografias revelam perda da densidade óssea (osteoporose) e áreas perfuradas (líticas) de destruição óssea.


O tratamento visa prevenir ou aliviar os sintomas e as complicações, destruindo os plasmócitos e retardando a evolução do distúrbio. Os analgésicos fortes e a radioterapia sobre os ossos afetados podem ajudar a aliviar as dores ósseas, que podem ser muito intensas.

Para pacientes com determinada faixa etária a indicação do auto- transplante (transplante autólogo) é bastante freqüente e melhora a sobrevida. O transplante serve para consolidar o tratamento e pode ser indicado mais de uma vez.




Exames


O diagnóstico é definido por meio dos dados clínicos do paciente avaliado por um médico hematologista, estudo das células sanguíneas e da medula óssea em aspectos morfológicos, citoquímicos, citogenéticos e moleculares.

A descrição dos exames abaixo serve para o paciente entender quais os exames mais frequentes, como eles são feitos e porque são pedidos.
Para o diagnóstico e acompanhamento dos pacientes com neoplasias hematológicas, os exames de sangue, em especial o hemograma e o exame de medula óssea, mielograma, são realizados com freqüência.

Hemograma – é um exame que avalia e quantifica as células do sangue: glóbulos brancos, hemácias e plaquetas. É um simples exame de laboratório, realizado com uma pequena quantidade de sangue colhida da veia. O exame é pedido pelo médico para ajudar no diagnóstico ou controlar a evolução de uma doença.





A importância da punção e biópsia de medula óssea, da citometria de fluxo, do cariótipo e de métodos moleculares é discutida, com especial destaque para seu papel na definição diagnóstica e prognóstica para o tratamento doenças hematológicas.

Mielograma – é um exame que avalia a forma e quantifica as células que dão origem aos glóbulos brancos, hemácias e plaquetas. O exame é realizado com uma pequena quantidade de "sangue" colhida do interior do osso. O procedimento da coleta é realizado com o paciente deitado ou sentado (crianças). Aplica-se uma pequena anestesia no local da coleta, que pode ser  região esternal ou parte posterior da bacia . A agulha para coleta do mielograma é especial, chama-se Jamshid, ela é colocada na pele anestesiada e introduzida até alcançar o interior do osso. Quando atingido este local, coloca-se uma seringa na parte posterior da agulha e aspira-se algumas gotas do material do interior do osso. Esse exame pode ser realizado em consultório médico ou em laboratórios e tem duração de poucos minutos ( aproximadamente 10 minutos).





As células são analisadas em microscópio.Veja a figura abaixo:


Imunofenotipagem- exame que utiliza soros com anticorpos específicos para caracterizar melhor a população das células doentes. Este exame, nas doenças hematológicas é realizado com material de medula óssea ou com o sangue periférico.

Biópsia de Medula Óssea- é um exame que permite uma visão mais ampla da medula, possibilitando observar a distribuição das células hematopoiéticas dentro da medula óssea, a quantidade de células e a presença de células ou bactérias anormais. O exame da medula óssea neste caso é preparado a partir de um pequeno fragmento de osso da bacia, que depois de coletado é colocado em parafina, cortado, fixado em lâminas e examinado ao microscópio. Adultos podem submeter-se à biópsia recebendo uma anestesia local, na bacia. Sendo assim a biópsia é realizada no laboratório ou no consultório médico. Crianças, em geral, são levadas ao centro cirúrgico para receber uma leve sedação. O procedimento da coleta é realizado com o paciente deitado e tem uma duração média de 20 minutos.


Biópsia de Linfonodo:é uma pequena cirurgia feita para retirar um linfonodo (íngua ou caroço) para análise. O material retirado é colocado em bloco de parafina, cortado, fixado  e corado em lâminas de vidro para análise em microscópio. Este exame possibilita o diagnóstico e a classificação adequada dos linfomas, mas pode ser indicado para o diagnóstico de doenças infecciosas e de outros tumores.

Coleta do Líquor: O fluído do cérebro é chamado de líquido céfaloraquidiano (líquor) ou fluído cérebro-espinhal. O líquor normal parece com água, é um líquido claro com pequenas quantidades de proteína, potássio, glicose, cloreto de sódio e células. 

Para análise, o líquor é comumente obtido por uma picada com agulha especial na coluna vertebral. Uma amostra de líquor é freqüentemente necessária no diagnóstico e tratamento de doenças linfoproliferativas (especialmente em leucemias linfóides agudas). As células da leucemia podem infiltrar o sistema nervoso central (SNC) e a forma de fazer o diagnóstico é através da análise do líquor. 


Coleta de líquor

Imunoistoquímica- exame que utiliza soros com anticorpos específicos para caracterizar melhor a população de células doentes. Este exame é realizado no material obtido a partir de biópsia, seja da medula óssea, de um linfonodo ou de qualquer tecido.

Citogenética – A citogenética avalia numéricamente e morfológicamente os cromossomos. O estudo é feito nas células tumorais. Nas doenças hematológicas a citogenética é feita com material coletado da medula ou do sangue colhido de veia periférica. Várias alterações cromossômicas foram descritas no câncer. As alterações  podem ser importantes em várias etapas do tratamento. Para o diagnóstico de determinadas doenças, por exemplo a presença do cromossomo Philadelfia na pesquisa de Leucemia Mielóide Crônica. Outras vezes o estudo citogenético permite avaliar o grupo de risco do paciente e se torna um elemento importante para a decisão terapêutica.

Cariótipo normal de um indivíduo do sexo feminino

Doença Residual Mínima (DRM)- Através de técnicas de grande sensibilidade é possível detectar uma pequena quantidade de células cancerígenas após o término do tratamento, seja o tratamento quimioterápico convencional ou transplante. O encontro dessas células denomina-se DRM e não significa necessariamente que a doença se desenvolva novamente, cada caso deve ser acompanhado e avaliado individualmente.

Teste de Compatibilidade HLA : A tipagem HLA( antígenos leucocitários humanos) é semelhante à tipagem sanguínea, porém as características genéticas analisadas estão presentes nos glóbulos brancos. O exame é realizado para verificar a compatibilidade entre possíveis doadores e pacientes ( receptores) que necessitam de transplante de medula óssea. Através de uma pequena amostra de sangue retirada da veia , podemos realizar a tipagem por métodos sorológicos e moleculares. 



Quem Precisa de transplante?


O Transplante de Medula Óssea (TMO)  é indicado principalmente para o tratamento de doenças que comprometem o funcionamento da medula óssea, como doenças hematológicas, onco-hematológicas, imunodeficiências, doenças genéticas hereditárias, alguns tumores sólidos e doenças auto-imunes.

Doenças Onco- hematológicas

-Leucemias Agudas e Crônicas
-Linfomas  de Hodgkin e não Hodgkin
-Mieloma Múltiplo
-Síndrome Mielodisplásica(SMD)

Doenças Hematológicas
-Aplasia Medular ou Anemia Aplástica Severa
-Anemia de Fanconi
-Hemoglobinapatias: Anemia Falciforme e Talassemia
-Hemoglobinúria Paroxística Noturna

Imundeficiências

-Congênitas ou primárias e secundárias


A indicação do transplante depende, em geral, da doença e da fase da doença em que os pacientes se encontram. Para muitos casos, não há como controlar a doença somente com a quimioterapia e radioterapia convencional e a realização do transplante poder ser o melhor recurso terapêutico para alcançar a cura. 

O que é medula óssea?

A medula óssea é o tecido encontrado no interior dos ossos, também conhecido popularmente por "tutano", que tem a função de produzir as células sanguíneas: glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.
A medula óssea é o tecido encontrado no interior dos ossos, também conhecido popularmente por "tutano", que tem a função de produzir as células sanguíneas: glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.



A célula que origina as células sanguíneas é chamada de célula progenitora ou célula-mãe, estas células existem em pequeno número no sangue e em maior quantidade na medula óssea. As células- mãe se auto renovam ou se diferenciam e passam por diversos estágios de maturação, antes de passarem para o sangue. O processo de formação das células sanguíneas é chamado de hematopoeise.


Hematopoiese



Fig 2.A célula progenitora mielóide dá origem aos eritrócitos, plaquetas, glóbulos brancos granulócitos (neutrófilos, eosinófilos, basófilos), mastócitos e aos monócitos. O progenitor linfóide da origem a linfócitos T e B e células NK (natural killer).

O sangue é composto de plasma e de células suspensas no plasma. O plasma é predominantemente constituído de água, proteínas como fatores de coagulação, hormônios, anticorpos e por vitaminas e  minerais . As células do sangue são: os glóbulos vermelhos ou eritrócitos ou hemácias, os glóbulos brancos ou leucócitos  e as plaquetas.




Fig 3.Plasma na região superior e células sanguíneas na parte inferior.



QUAIS SÃO AS CÉLULAS DO SANGUE E PARA QUE SERVEM?

-Hemácias ou glóbulos vermelhos: são células sanguíneas que carregam hemoglobina e são responsáveis pelo transporte do oxigênio dos pulmões para os tecidos e da retirada do dióxido de carbono para ser eliminado pelos pulmões.





Hemácias com  formato bicôncavo


















-Leucócitos (glóbulos brancos) : são responsáveis pela defesa do nosso organismo contra agentes infecciosos(vírus, bactérias) e substâncias estranhas. Para defender o corpo adequadamente, uma quantidade suficiente de leucócitos deve estimular as respostas apropriadas, ir aonde são necessários e, em seguida, matar e digerir os organismos e as substâncias prejudiciais. Como todas as células sangüíneas, os leucócitos são produzidos na medula óssea. Eles originam-se de células precursoras (células-tronco) que se diferenciam e  amadurecem em um dos cinco tipos principais de leucócitos: neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos  e linfócitos.

A contagem leucocitária total normalmente varia de 4.000 a 10.000 células por microlitro. A leucopenia, diminuição da quantidade de leucócitos ou glóbulos brancos é constitucional; pode ser por uso de determinados medicamentos, administração de quimioterápicos, como resultado de infecções, deficiência de produção ou destruição por anticorpos. Em algumas situações torna a pessoa mais suscetível à infecções. A leucocitose, um aumento da quantidade de leucócitos, pode ser uma resposta a infecções, proveniente do uso de fatores de crescimento, ser resultante de um câncer, de um traumatismo, do estresse ou do uso determinados medicamentos.
Os 5 tipos de leucócitos ou glóbulos brancos são:









-Plaquetas: são fragmentos de grandes células (megacariócitos) que compõem o sistema de coagulação do sangue responsável pela formação do tampão plaquetário agindo na prevenção de hemorragias (hemostasia). Chama-se de plaquetopenia a baixa contagem de plaquetas no sangue. O número reduzido  de plaquetas pode ser decorrente da falta de produção destas pela medula por doença ou por uso de determinados medicamentos, como aspirina e anti- inflamatórios ou por destruição  periférica. Assim o paciente pode apresentar sangramentos, hemorragias, hematomas e petéquias (pequenas manchas vermelho-arroxeadas, produzidas por vazamentos do sangue das veias para os tecidos). Para corrigir a baixa contagem, o paciente é submetido a transfusões de plaquetas.

Fig 4.Plaquetas ativadas na  formação do coágulo com auxílio das proteínas de coagulação, evitando a perda excessiva de sangue.


Para maiores informações assista o video explicativo